5 Perguntas para Denise Damiani, Business Consultant e autora.
19 Ago 2020
Denise Damiani, Business Consultant e autora de “Ganhar, Gastar, Investir: o livro do dinheiro para mulheres”, fala sobre liderança em tempos de crise.
A empresa só vai saber que está no caminho certo se houver uma fila de gente ‘the best & the brightest’ na porta pedindo para trabalhar lá. Estas são as que vão sobreviver. ‘The best’ são as pessoas que operam com qualidade e competência; ‘the brightest’ são as mais brilhantes pensadoras e inovadoras

1. Em tempos de crise, que tendências os/as líderes estão seguindo para tentar manter a produtividade e a competitividade de suas empresas?

Crises têm a capacidade de expor o que já era problema. Então, quem preferiu não lidar com os chamados temas críticos antes, verá esses temas voltarem com força redobrada. Os maiores desafios têm sido como manter uma empresa saudável, sem dívidas, com lucratividade, cuidando de seus funcionários (que agora estão em esquemas de trabalho remoto e preocupados com a saúde), clientes e consumidores (muito deles atravessando problemas financeiros).

2. Que empresas podem colher bons resultados neste período?

Na minha opinião, os melhores resultados serão colhidos pelas empresas que conseguirem dividir seus problemas em três fases:

Fase 1: RESPONDER. Ter agido com rapidez quando a crise se instalou e a quarentena se iniciou (cuidando do caixa, cortando custos e lançando planos de cuidados essenciais para os funcionários).

Fase 2: RETORNAR. É a fase dedicada a pensar como sobreviver à pandemia com novas práticas e processos e se preparar para voltar a operar quando os clientes e consumidores retornarem ao seu dia a dia. Inclui estratégia no digital, cuidados no contato físico, criatividade no atendimento e repensar o leque de produtos/serviços ofertados.

Fase 3: REPENSAR. É a fase de se voltar para o futuro e repensar como os clientes e consumidores vão se comportar depois da crise: o que querem e o que precisam, o que muda no consumo e na maneira de se relacionar com as marcas, seus produtos e serviços.

Creio que, quem passar bem por essas três fases, estará a salvo e sairá mais forte deste período de crise.

3. Quais os principais desafios enfrentados por líderes corporativos para manter seu principal ativo (os funcionários) motivados durante a pandemia?

A era do comando e do controle acabou. As pessoas não aguentam mais trabalhar como no século passado, com alguém “espionando” para saber se elas estão mesmo fazendo suas tarefas. Funcionários de qualidade querem liberdade e guidance. Portanto, liberdade com objetivos e controle de resultados será a nova forma de liderar. Nesta pandemia, tem empresário controlando funcionário pela câmera do computador, acredita? A empresa só vai saber que está no caminho certo se houver uma fila de gente “the best & the brightest” na porta pedindo para trabalhar lá. Estas são as que vão sobreviver. “The best” são as pessoas que operam com qualidade e competência; “the brightest” são as mais brilhantes pensadoras e inovadoras.

4. De que forma as organizações podem ajudar a fortalecer a economia brasileira em meio à crise causada pela Covid-19?

Acredito que os problemas do Brasil terão de ser solucionados pelas empresas e pelas pessoas (sociedade civil). As pessoas e as empresas precisam entender que seu trabalho é que vai levar o Brasil a ser um grande país, produtivo e competitivo. Então, vamos focar no trabalho, na produção e em fazer mais com menos. Só assim é que iremos adiante.

5. Acredita que, no cenário pós-pandemia, o trabalho remoto se tornará uma opção permanente? E como isso impactará o futuro do trabalho?

Acredito que sim. Muita gente vai querer ficar mais tempo em casa, inclusive existe uma “revoada” de profissionais para cidades do interior, gente que não quer mais enfrentar trânsito e arcar com os custos das grandes cidades. Sempre pensei: “Para quê todo mundo se apinhar em uma cidade como São Paulo, com 20 milhões de habitantes? Não faz sentido!”. Esta pandemia trouxe essa consciência. Mas, para dar certo, a infraestrutura de conexão na casa desses funcionários precisará de um upgrade. Sempre trabalhei remotamente. Ia ao escritório pouquíssimas vezes. Gastava todo o meu tempo no cliente ou em casa. O ambiente dos escritórios é muito pouco produtivo. As pessoas e as empresas vão ter de repensar isso, porque menos custos de escritório também são bem-vindos para os resultados da empresa. Existem muitas maneiras de encontrar equipes e fazer reuniões presenciais. Toda essa dinâmica está sendo aprendida. E depois que as aulas voltarem, os pais que hoje tiveram de enfrentar home office + crianças em casa vão também sentir um imenso alívio.


Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil, participou de um bate-papo sobre liderança em tempos de crise na companhia de Denise Damiani e outros executivos. 

 

 

Mantenha-se atualizado

Inscreva-se para receber as últimas notícias no seu e-mail.

Inscreva-se