21 Jul 2020
5 perguntas para: Carolina Moreno, fundadora da organização Mulheres no E-commerce
Carolina Moreno, fundadora da organização Mulheres no E-commerce, fala sobre a importância da união das mulheres para empreender e realizar projetos de alto impacto na comunidade empresarial brasileira.
Carolina Moreno, fundadora MNE
A principal lição é que as mulheres unidas transformam e impactam a vida não só delas, mas das empresas em que trabalham ou dirigem, e principalmente das pessoas. A nossa união transforma a maneira como o mercado nos enxerga, nos respeita e passa a nos admirar ainda mais

É mais fácil, para uma mulher, empreender sozinha ou em parceria no Brasil?

Essencialmente, o que todas as mulheres empreendedoras precisam é de parcerias e networking. O networking sempre foi muito mais praticado por homens. Eles têm mais facilidade de ir aos eventos, conhecer pessoas, participar de happy hours e coisas do tipo. Já a mulher, muitas vezes com toda a carga do cuidado com a casa e com filhos, além do trabalho e dos estudos, dificilmente consegue acomodar a participação em eventos na rotina.  Os eventos corporativos, principalmente aqueles focados em empreendedorismo, negócios e tecnologia, sempre têm mais participações de homens do que mulheres.

Desde que o projeto Mulheres no E-commerce passou a estar presente em grandes eventos no Brasil, as mulheres têm mais possibilidade de trocar cartões, de serem recebidas e ouvidas. O MNE começou a atuar como uma iniciativa mais imersiva de networking para mulheres, para que elas possam firmar parcerias com compromisso, conhecimento e um speech de vendas bem estruturado. Além disso, sempre fomentamos o networking em encontros presenciais, e em grupos de Whatsapp e Facebook altamente engajados. Hoje são mais de 5 mil mulheres conectadas nos grupos. O networking vem mudando a vida dessas empreendedoras que, segundo seus próprios relatos, conseguiram crescer suas empresas em mais de 100% a partir de contatos feitos nos grupos.  

Quais os principais desafios para as mulheres empreendedoras no País?

Além dos desafios que englobam todos os gêneros, como tributação e empréstimos, as maiores dificuldades para as mulheres são a educação financeira, a construção de speech e o networking, além da carga de cuidar da casa e dos filhos. Por mais que as mulheres dividam suas tarefas diárias com os seus maridos, ainda falta muito para que este equilíbrio chegue culturalmente em todos os lares, e de fato a jornada seja justa para os dois lados. 

Vocês enfrentaram obstáculos durante a implantação do projeto apenas por serem mulheres?

No início, sim. Como tudo o que é novo e diferente, os primeiros meses foram difíceis até para nós mesmas. Precisávamos entender para onde estávamos indo, até onde tudo isso poderia nos levar. O feedback inicial que recebíamos era de que éramos um grupo de “Luluzinhas” (risos). Nossa única certeza era que essa união precisava acontecer de qualquer forma. E conforme nós fomos entregando conteúdo para o mercado, as mulheres foram elevando seu patamar de negócio, aparecendo mais, indicando outras palestrantes mulheres. Tanto o mercado quanto nós mesmas passamos a entender melhor qual era o nosso objetivo como projeto e o nosso potencial de atuação. Hoje o projeto empodera as empreendedoras e auxilia na autoestima, criando um ambiente de cooperação mútua que inclui todas as mulheres sem distinção de raça, crença, condição social, orientação sexual e demais estereótipos.

Como definiriam o impacto da MNE no setor de e-commerce no Brasil?

Nosso impacto é muito grande. Hoje nós temos uma rede de mais de 15 mil mulheres que possuem interesse pela área do e- commerce e consomem nossos conteúdos no blog, nas lives, nos eventos. Sempre pensamos em duas vertentes educacionais: Empoderamento e Empreendedorismo. 

Além do conteúdo, muitas mulheres que se conheceram durante esses anos no MNE hoje são amigas próximas. Sempre falamos muito sobre a SORORIDADE, que é a união das mulheres em prol de uma sociedade mais igualitária.  Em 2019, fizemos uma pesquisa interna e um número nos chamou a atenção. Mais de 50% das entrevistadas entendiam que outras mulheres competiam mais entre elas do que com os homens. Por isso, hoje procuramos sempre indicar mais as mulheres, inclusive no nosso dia a dia fora do grupo, para que todas se apoiem. O resultado são mulheres mais empoderadas e mais seguras.  O caminho ainda é longo e há muito trabalho a ser feito. O nosso próximo objetivo é ajudar as mulheres por meio do networking com foco em negócios e educação, pois além de ferramentas de trabalho, todas nós precisamos também de habilidades humanas, como inteligência emocional, empatia e autoconhecimento para ultrapassar os obstáculos da vida empreendedora e intraempreendedora.

Tendo em vista as mulheres que empreendem no comércio eletrônico no Brasil, de que forma a MNE contribui para o fortalecimento desses negócios?

Entendemos que a forma mais inteligente de contribuir para que as mulheres possam crescer suas empresas é por meio de conteúdo (educação) e networking (parcerias).  Segundo a pesquisa do SEBRAE deste ano, apenas 5% das empreendedoras são capazes de manter uma empresa com mais de cinco funcionários. Há uma oportunidade muito grande neste número. Se conseguirmos fortalecer os negócios destas mulheres para que elas possam ter fôlego financeiro para contratar mais pessoas, contribuiríamos para diminuir a taxa de desemprego no país.

Ao longo da história da MNE, quais as principais lições que vocês tiraram das mulheres que fazem ou fizeram parte do projeto?

A principal lição é que mulheres unidas transformam e impactam a vida não só delas, mas das empresas em que trabalham ou dirigem, e principalmente das pessoas.  A nossa união transforma a maneira como o mercado nos enxerga. Passamos a ser respeitadas e admiradas. Muitos homens ainda não entendem a luta das mulheres por equidade nos cargos, nos salários, nas oportunidades. Existem muitas vagas de emprego para as quais a mulher tem competência igual ou superior ao homem. Ou seja, vontade de fazer não nos falta. O que nos falta é sermos ouvidas pelo mercado, dentro das empresas, nos cargos de liderança, além do apoio de nossos maridos, pais, filhos e amigos.

*Paula Paschoal, Diretora Sênior do PayPal Brasil, participou como palestrante no evento Mulheres no E-commerce 2020, realizado em junho. Falou sobre o futuro dos pagamentos digitais pós-Covid, e junto com outras executivas, ajudou a inspirar mais de 4000 mulheres que assistiram 10 horas de conteúdo online focado em liderança feminina na indústria do E-commerce Brasileiro.

 

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