As empresas começam a perceber que não há crescimento sustentável sem diversidade
25 Out 2021
por Juarez Borges, diretor sênior de Global Entity Management
Juarez Borges Filho, diretor sênior de Global Entity Management (GEM)

A diversidade precisa ser abordada como um tema mandatório nas empresas, não opcional. Promover a existência de uma grande variedade de pessoas diferentes entre si, garantindo respeito e igualdade, permite a criação de um ambiente organizacional inovador e criativo.

Não é à toa que este assunto tornou-se um ponto estratégico para as organizações e representa um fator impulsionador de vantagem competitiva. Portanto, este tema necessita ser tratado como meta e não como uma simples prática de cunho social.

De acordo com o estudo “Cenário de Vendas no Brasil 2021”, publicado pelo LinkedIn, os clientes preferem fazer negócios com empresas que investem em diversidade, e estas estão em posição de vantagem para oferecer a experiência que desejam.

O cliente precisa se sentir representado e, portanto, deseja enxergar um reflexo da comunidade nas organizações. Na mesma pesquisa, 88% dos clientes afirmam que fariam negócios com uma equipe de vendas mais diversa e 93% concordam que a probabilidade de comprarem de uma determinada empresa aumenta quando a equipe de vendas representa a comunidade e o setor que atende.

Quando a diversidade atinge os diversos níveis organizacionais, as empresas chegam a um ponto de maturidade também na questão de produtos, com soluções abrangentes que contemplem uma variedade de perspectivas distintas e complementares. Ao contratar funcionários com múltiplas origens étnicas, orientações sexuais, gerações e deficiências físicas, garantimos uma maior variedade de habilidades e repertório de experiências.

Imagine, então, ser possível garantir que esse pacote ainda venha repleto de engajamento e comprometimento. Empresas inclusivas geram um senso de pertencimento, criando um ambiente no qual os funcionários se sentem valorizados e, consequentemente, se tornam mais engajados.

Por tais motivos, percebe-se que empresas inclusivas tendem a apresentar níveis mais reduzidos de rotatividade. Isso garante que o conhecimento permaneça na organização e que haja uma redução dos riscos operacionais relacionados a falhas humanas. Afinal, pessoas felizes permanecem por mais tempo em seus trabalhos.

A Harvard Business Review confirma tais benefícios da diversidade, ao apontar, em um estudo de 2015, que companhias pautadas pela diversidade possuem um ambiente organizacional com 50% menos conflitos e 17% mais engajamento quando comparadas às outras organizações.

De acordo com a consultoria norte-americana McKinsey, em pesquisa publicada em 2018, há uma tendência mundial de investimento em diversidade como questão de estratégia para aumento da produtividade. No entanto, diversidade e inclusão ainda são temas que precisam evoluir muito no Brasil. Segundo matéria publicada pelo site UOL em fevereiro de 2021, enquanto nas empresas norte-americanas este tema surgiu nos anos 70, como resposta das empresas aos protestos por direitos civis – como a segunda onda do feminismo, o movimento LGBTQIA+ e a luta da população negra contra a segregação –, no Brasil vemos cerca de 65% das empresas sem um programa de D&I estruturado, com estratégia e planejamento.

Porém, de acordo com a mesma matéria, após a pandemia, 97% das empresas pretendiam manter ou aumentar seus investimentos em D&I para 2021. Isso mostra que as organizações começaram a perceber que não há crescimento sustentável sem diversidade, inclusão, representatividade e pertencimento.

 

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