03 Fev 2021
Liderança em tempos de crise
por Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil
Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil, de braços cruzados, com fundo azul por trás e com um leve sorriso no rosto
Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil

“CONCENTRE-SE NOS PONTOS FORTES, RECONHEÇA AS FRAQUEZAS, AGARRE AS OPORTUNIDADES E PROTEJA-SE CONTRA AS AMEAÇAS.”

A frase de Sun Tzu nunca pareceu tão precisa para o líder dos dias atuais, dias de expectativa quanto ao que acontecerá no mundo nos próximos meses – ou anos. Valia para os generais chineses do século 5 a.C., como ele próprio, e vale hoje.

Continuamos vivendo uma época de incertezas, mesmo com a chegada das vacinas, por causa da segunda onda da Covid, que demanda tomadas de decisão diárias, às vezes, diversas em um mesmo dia. E a sociedade cobra, cada vez mais, essa postura de líder dos executivos em cargos-chave. Não é de admirar que sejamos os principais personagens em todas as pesquisas sobre confiança, à frente de governos, políticos e mídia.

Isso porque, entre outras características, líderes precisam ter a disposição de tomar atitudes que outros não são capazes. Mais: têm de se colocar na linha de frente dos acontecimentos. E o atual cenário mundial é um exemplo claro de como podemos fazer a diferença.

Um momento de crise é a melhor hora para o líder demonstrar seu valor – e assumir riscos.

Dizem que a pessoa certa na liderança é aquela que se mostra ainda melhor nos momentos mais difíceis. Quem assistiu a O Destino de Uma Nação, que rendeu o Oscar a Gary Oldman no papel do primeiro-ministro britânico Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial, sabe do que estou falando.

Porque, quando o ambiente é conhecido e tudo caminha normalmente, praticamente qualquer pessoa é capaz de liderar. O problema começa quando perdemos o norte, quando o cotidiano se mostra imperfeito e movediço.

Em momentos difíceis, é fundamental não perder a confiança da equipe. Assim, é preciso ser sincero sobre as dificuldades e sobre a estratégia adotada pela empresa para suportar a crise. A coerência deve estar presente em todas as dimensões da gestão: no discurso, nas atitudes e nas decisões.

 

A seguir, alguns tópicos importantes para o líder em meio à crise.

Reforce a comunicação

Um bom sistema de comunicação é capaz de manter a equipe comprometida, além de melhorar o ambiente de trabalho. Para isso, o líder deve compartilhar informações – incluindo a situação do mercado, concorrência e, principalmente, os obstáculos a serem superados. Reuniões com o time são bastante úteis no processo de comunicação e servem também para esclarecer dúvidas, definir prioridades e direcionar esforços.

 

Administre as emoções

Em tempos de crise, é comum que haja insegurança e preocupação entre os colaboradores. E esse conjunto de fatores pode afetar negativamente a produtividade. Assim, cabe ao líder compreender a situação e administrar as emoções, tentando valorizar as competências e motivar a equipe. Ainda mais neste cenário de home office forçado pela pandemia.

 

Não adie as decisões

Durante a crise, a agilidade na tomada de decisões se torna mais importante, principalmente, para evitar o desperdício de recursos e garantir maior flexibilidade diante das adversidades. Alterações nos planos podem e devem acontecer, mas sempre de forma estruturada e muito bem comunicada.

 

Revise metas e objetivos

A gestão de uma crise exige também revisão de metas e objetivos da empresa para que sejam compatíveis à nova realidade. Só assim é possível manter o foco nas principais rotinas, realinhar oferta e demanda, redirecionar as equipes e estabelecer novas linhas de trabalho.

 

Incentive a criatividade e a inovação

A busca por soluções e oportunidades deve fazer parte do cotidiano de qualquer empresa e, para isso, é fundamental incentivar a criatividade e a participação das equipes. Programas de inovação podem produzir ótimos resultados – principalmente se forem direcionados a todos os funcionários (não apenas aos que se dedicam a inovação). É preciso também pesquisar as melhores práticas, novas tecnologias e diferentes nichos de mercado, além de buscar parcerias. Aliás, ter parceiros e fornecedores confiáveis é uma ajuda e tanto para chegar ao outro lado de qualquer crise.

 

Exerça uma liderança proativa

Líderes proativos podem estimular comportamentos idênticos por parte da equipe. O senso de urgência e de oportunidade deve estar fortalecido, bem como o dinamismo, o comprometimento e a capacidade de resolver problemas. Em meio à crise, toda solução deve ser tomada de forma coletiva, mas rapidamente.

 

Acompanhe os indicadores de performance

Uma gestão estratégica deve contar com indicadores de performance para monitoramento da equipe e das metas planejadas. Essa ferramenta é bastante útil, em especial em tempos de crise, quando a produtividade passa a ser ainda mais necessária. Além disso, por meio desses indicadores, é possível detectar tendências, o que permite a correção de rota e de investimentos.

 

Em momentos como este que estamos vivendo, é preciso conquistar a primeira vitória dentro do seu ambiente de trabalho. Se seus funcionários entendem o que precisa ser feito e acreditam na sua liderança, metade do caminho estará pavimentado para se chegar a dias melhores. Caso contrário, sua empresa estará fadada a perder muito tempo – e dinheiro.

 

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