14 Out 2020
Como será o mercado pós-open banking e Pix
por Carlos Nomura, Head de Pagamentos do PayPal Latam
Carlos Nomura, Head de Pagamentos do PayPal Brasil
Carlos Nomura, Head de Pagamentos do PayPal Brasil
Companhias como o PayPal se utilizam das ferramentas tradicionais de transferência entre bancos e, com o Pix, vamos ganhar outras opções, com mais capilaridade, velocidade e disponibilidade

Qualquer tecnologia que melhore a experiência do consumidor e democratize um serviço financeiro conta com o meu apoio. Nosso mercado precisa de mais players, que criem produtos e serviços voltados às necessidades dos clientes – e elas são cada vez mais particulares.

Por isso mesmo, acredito que teremos um ecossistema bastante interessante para se trabalhar com a chegada ao mercado do Pix, a plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central. Ele faz parte da estratégia do Bacen de aumentar a competitividade no setor, já que diminui, consideravelmente, o custo desse tipo de transação, obrigando as empresas participantes desse ecossistema a trabalharem em suas propostas de valor ao usuário final como forma de diferenciação.

Companhias como o PayPal se utilizam das ferramentas tradicionais de transferência entre bancos e, com o Pix, vamos ganhar outras opções, com mais capilaridade, velocidade e disponibilidade. Um dos requisitos do Bacen é que a plataforma funcione 24/7, ou seja, também será muito conveniente, deixando para trás o conceito de dia útil bancário, que não faz mais o menor sentido no atual panorama financeiro e de tecnologia.

Graças a essa característica, parte fundamental do processo de digitalização de qualquer economia, será possível fazer transferências até em fins de semana e feriados, por exemplo. E tudo em tempo real. É uma quebra de paradigma muito importante para o mercado.

A tendência, claro, é que o pagamento instantâneo se torne a maneira preferencial de tranferencia em comparação aos tradicionais DOCs e TEDs. Mas é sempre difícil falar em substituição de alguma ferramenta financeira no Brasil. Veja o exemplo dos boletos. Quem trabalha no setor de pagamentos eletrônicos está sempre imaginando quando o boleto bancário vai desaparecer, mas ele permanece e é usado por uma parcela ainda bastante relevante da população – principalmente a que não tem acesso a cartões de crédito. A Febraban estima o pagamento de 3,7 bilhões de boletos bancários por ano no Brasil, mais de 10 milhões por dia. 

É um desafio e tanto, mas o Pix tem tudo para ganhar terreno sobre esse mercado por causa de todas suas vantagens competitivas. Principalmente quando unimos o potencial dos pagamentos instantâneos à democratização dos serviços financeiros que o open banking também representa.

Esse intercâmbio de informações do cliente para outras instituições, aliado a novas plataformas de gerenciamento financeiro, deve dar aos pequenos players a oportunidade de criarem produtos e serviços sob medida para os consumidores. Os pequenos terão a oportunidade de usar sua capacidade de flexibilização para ganhar mercados. E acredito que, uma vez que o Pix e o open banking estejam operantes, mais fintechs surgirão, com um cardápio muito maior de produtos e serviços. É exatamente disso que um mercado saudável é feito. 

No médio prazo, o impacto do open banking será grande, mas vai acontecer de forma gradual. E os grandes bancos, que são importantes players desse ecossistema, poderão se beneficiar ainda mais com o acesso extra às informações – e continuarão sendo extremamente relevantes como gerenciadores de risco. Mas haverá uma concorrência mais forte, principalmente por parte das fintechs e paytechs.

Veremos um mercado mais dinâmico, e isso é excelente tanto para consumidores quanto para comerciantes.

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