Pesquisa demonstra que Brasil avançou na equidade de gênero em 2020 – mas precisamos fazer mais
05 Jan 2021
por Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil
Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil
Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal Brasil
Quem me conhece sabe o quanto o tema liderança feminina me move todos os dias. E os resultados da pesquisa demonstram que, em diversos campos, pudemos observar avanços interessantes em 2020 – mesmo com o País (e o mundo) em 'modo pandemia'

Saiu do forno, no finzinho do ano passado, a terceira edição da pesquisa Mulheres na Liderança, um estudo que identifica as melhores práticas e políticas que estimulam a equidade de gênero e promoção de mulheres na liderança das principais empresas do Brasil.

Trata-se de uma parceria da WILL (Women in Leadership in Latin America) com o Valor Econômico e a Editora Globo, que conta com apoio metodológico do Instituto Ipsos, parceiro do PayPal em tantos estudos no decorrer dos últimos anos.

Fiquei muito orgulhosa em ver o PayPal classificado na 17ª posição no ranking geral – entre as 162 companhias participantes – e na 15ª no quesito "Qualificação e incentivo à liderança feminina". Além disso, o PayPal ficou em 2º lugar em seu ranking específico, de Serviços Financeiros. É prova de que estamos fazendo as escolhas certas desde que aportamos no Brasil, em 2010.

Quem me conhece sabe o quanto o tema liderança feminina me move todos os dias. E os resultados da pesquisa demonstram que, em diversos campos, pudemos observar avanços interessantes em 2020 – mesmo com o País (e o mundo) em "modo pandemia".

Em 2020, as práticas de equidade de gênero na agenda da alta liderança das empresas se desenvolveram em muitos aspectos:

-- 68% das empresas têm lideranças formais em seu corpo de diretores com a missão específica de promover a equidade de gênero (em 2019, esse percentual era de 56%).
-- 66% das empresas contam com o tema da equidade na agenda de seus altos executivos de forma prioritária (eram 52% em 2019).

Já o combate à cultura do preconceito é derivado de políticas internas e campanhas de conscientização:

-- 88% das empresas têm políticas que proíbem a discriminação em razão do gênero (eram 87% em 2019).
-- 78% lançaram campanhas internas de conscientização para aumentar a compreensão sobre a importância da valorização da mulher (eram 70% em 2019).

Em comparação com o ano passado, a pesquisa percebeu uma mudança positiva na maneira como as empresas lidam com a questão da equidade de gênero. Em 2019, a maioria das empresas (47%) tinham apenas ações pontuais ao invés de políticas formais que estimulassem a igualdade de gênero. Em 2020, houve um crescimento importante no número de empresas que implementaram políticas formais para promoção de equidade de gênero (são 53% agora).

Apesar disso, ainda que as mulheres sejam a maior parte da população brasileira (52%, segundo dados da PNAD 2019), ainda são o gênero que menos ocupa posições de liderança e de tomada de decisões dentro do ambiente corporativo.

Uma das conclusões da pesquisa, portanto, é que "apesar do aumento das mulheres no mercado de trabalho, o desnivelamento das oportunidades se materializa em diversos níveis, desde a maior dificuldade das mulheres em processos seletivos, até a difícil quebra de barreiras para ocupação de cargos de liderança".

No PayPal Brasil, as mulheres ocupam mais de 50% dos cargos de gerência, o que nos coloca em uma posição de destaque sempre que o tema surge em palestras que realizamos para nossos fucnionários e colaboradores e também quando eu e outras executivas da companhia participamos de painéis e eventos sobre o assunto.

Sabemos que o Brasil ainda caminha a passos lentos na evolução das agendas que tratam da igualdade e diversidade em comparação a outros países da América Latina e do mundo. Porém, no contexto corporativo, tanto a questão de gênero quanto a da diversidade apresentam uma tendência de evolução positiva, segundo a pesquisa da WILL.

De acordo com o estudo, fica cada vez mais claro o quanto as ações das empresas são importantes para mudar o quadro de desigualdade de oportunidades. Mais mulheres na liderança e mais políticas de diversidade significam empresas mais competitivas e também mais democráticas.

Nos últimos 10 anos, vimos, sim, uma mudança no cenário da equidade de gênero no mundo inteiro. E também no Brasil. Mas, apesar de todos os avanços, ainda temos um longo caminho a trilhar para assegurar uma verdadeira voz para as mulheres no País. Ainda ocupamos menos de 10% das cadeiras do Congresso Nacional, e na iniciativa privada temos participação reduzida em cargos de gestão. Em geral, a remuneração das mulheres é mais baixa do que a dos homens nas mesmas posições.

Diversos estudos (como este, da McKinsey, realizado no começo de 2020) demonstram que a inclusão das mulheres na atividade econômica representaria um aumento de trilhões de dólares ao PIB mundial. E organismos multilaterais, como a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), já adotam a equidade de gênero como capítulo obrigatório em seus acordos. É um tema, como se vê, urgentíssimo, e o Brasil precisa continuar a evoluir.

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